quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Primeiro mês

"O primeiro mês é que custa depois é sempre maravilhoso"
Este foi um dos conselhos mais realistas que uma mãe me deu! Sem dúvida que o primeiro mês é muito duro e complicado de superar. Supera-se e ultrapassa-se tudo mas ficamos ali numa fase esquisita onde juntamente com as imprevisíveis mudanças hormonais o nosso corpo reage instintivamente a algo que muitas vezes não compreendemos. Com a pouca troca de experiências que tive e falta de familiares femininos presentes posso dizer que desde colocar a fralda ao contrário até dar as mamadas em horários calculados pelo fim e não pelo início eu fiz. A minha filhota teve que gramar com as minhas asneiras como eu tive que gramar com as fomes insaciáveis dela. Eu perguntava-me: "Mas como é que esta rapariga está sempre com fome? Será que o meu leite não presta? Será que sou má mãe?"
A maioria das coisas que aprendi foram através de livros que comprei tentando encontrar os mais completos e simples do mercado e seguindo os seus conselhos da melhor maneira possível. Fiz também uma pequena base de dados com números de telefone de amigas mães e ligava sempre que surgisse uma dúvida impossível de solucionar nos livros.
Principais problemas:
- Choros – Diferenciar os vários choros e compreender as necessidades do bebé. Eu ao início não sabia se o bebé tinha cólicas, fome ou fralda suja. Cheguei a uma altura em que cada vez que ela abria a música eu fazia tudo, dava comida, mudava a fralda e massajava a barriga.
- Mamadas – Saber se a quantidade de comida é suficiente. Eu ficava com a sensação que estava cheia mas duas horas depois lá estava ela a dar o sinal de alerta outra vez e eu perguntava-me: "Será que ficou com fome?"
- Não dormir – Este foi sem dúvida um grande desafio. Estar privada da bela soneca (de seguida) fez com que a minha cabeça "rebolasse no cepo". Houve dias que nem me lembro de ter dado comida ou feito seja o que for.
- Hormonas – O primeiro mês é onde as nossas hormonas se encontram mais descontroladas. Choramos por tudo e por nada. Acreditem quando vos digo que este problema é realmente difícil de controlar. Eu posso afirmar que sendo eu uma pessoa determinada e confiante me vi em apuros para não perder a cabeça.
- Barriga e dores por causa de cesariana – Saímos da maternidade ainda com uma bela barriguita, dores e incómodos devido à operação. Estar fisicamente debilitada e tratar de um bebé foi sem dúvida complicado. Só passados 3 meses é que as dores na costura diminuiram e ainda tenho uma barriguita que segundo mães experientes só se recupera totalmente 1 ano depois. É claro que assim que sai da maternidade comecei a usar a famosa cinta mas doer a barriga, a costura e estar completamente espremida com a cinta não é nada fácil. Admiro quem consiga!!! Para mim foi muito difícil!
Estes são apenas alguns dos desafios que vivi, mas o dia a dia com um recém-nascido é verdadeiramente um teste à nossa capacidade mais humana. Deixamos de pensar em nós e passamos a ter como principal preocupação a vida de ser pequenino que depende totalmente da nossa existência. Aliás quando começamos a tratar mais de nós é em prol do bem-estar dos nossos filhos!!!
A frase "eu quero o melhor para mim" passa para segundo e "eu quero o melhor para os meus filhos" salta fervorosamente para primeiro lugar!!!!

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